Painel do Rio Doce debate a importância das áreas protegidas no contexto dos desastres

Representantes do Painel do Rio Doce e da UICN apresentaram o caso da Bacia do Rio Doce durante o III Congresso de Áreas Protegidas da América Latina e Caribe (CAPLAC), em Lima, Peru.

RDP no CAPLAC

Durante os dias 14 e 17 de outubro, especialistas da área ambiental, pesquisadores, estudantes, povos tradicionais, gestores e representantes do setor privado, estiveram reunidos em Lima para participar do evento promovido pela UICN por meio da sua Comissão Mundial de Áreas Protegidas, Ministério do Meio Ambiente do Peru, RedParques e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. 

Considerada uma das regiões mais biodiversas do mundo, o evento teve importância fundamental para o contexto atual, considerando a crise climática e a necessidade de reforçar os compromissos globais assumidos pelos países da região.

No evento Áreas protegidas no contexto de desastres: o caso do rompimento da barragem na Bacia do Rio Doce, Brasil, promovido pelo Painel do Rio Doce, Yolanda Kakabadse, presidente do Painel, e Maria Cecília Wey de Brito, membro do Painel e especialista em biodiversidade, apresentaram os impactos causados pelo rompimento da Barragem de Fundão na biodiversidade da região e nas áreas protegidas com foco no potencial de restauração que esses ecossistemas possuem e seu papel no processo de conservação.

Como resultado da chegada da lama, que percorreu uma extensão de 670 km, 90% dos habitats ribeirinhos foram afetados, e cerca de 11 toneladas de peixes de água doce morreram. Além disso, lagoas e rios tributários foram afetados, assim como uma extensa área marinha. A região possui um total de 39 áreas protegidas localizadas na Bacia do Rio Doce, entre elas áreas de proteção ambiental, reservas particulares e terras indígenas. Um processo de avaliação dos impactos nesses territórios ainda está em curso. 

O Painel apresentou os compromissos que foram assumidos no processo de restauração da Bacia, como o financiamento de ações de consolidação das áreas protegidas da região e o papel das áreas protegidas no contexto de desastres, como a manutenção das características originais do bioma, referências científicas, históricas ambientais e culturais; banco genético, produção de sementes e mudas; alternativas econômicas e para manutenção dos serviços ecossistêmicos, essenciais para a resiliência, equilíbrio e bem-estar da população. 

No caso de um desastre como o rompimento da Barragem de Fundão, as especialistas reforçaram que o processo pelo qual a região está passando pode contribuir efetivamente para a consolidação das áreas protegidas no Brasil. Além disso, por estarem passando por um processo de reparação, é possível planejar melhor os territórios e promover uma maior participação da sociedade civil no processo, em busca de uma visão mais integrada da conservação da região.

Saiba mais sobre o CAPLAC: https://www.areasprotegidas-latinoamerica.org/

 

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